Visão do CEO

Upskilling e Reskilling: preparando-se na era da IA Generativa

Por EDC Group | Publicado em 12/03/2025
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Daniel Machado de Campos Neto

 

A transformação digital está redefinindo o mercado de trabalho, e diversas empresas têm tomado medidas ousadas para acompanhar essa mudança. Em janeiro deste ano, a SAP, companhia alemã desenvolvedora de softwares de gestão empresarial, anunciou uma reestruturação estratégica focada na integração da Inteligência Artificial (IA) em suas operações. Com um investimento de 2 bilhões de euros, a empresa está implementando um programa que afeta cerca de 8.000 de seus 108.000 funcionários, equilibrando dois objetivos: requalificar seus talentos para a era da IA e oferecer programas de demissão voluntária.

Essa iniciativa não apenas destaca a urgência de preparar a força de trabalho para o impacto da IA, mas também evidencia os benefícios econômicos dessa transição. Nesse cenário, o upskilling e reskilling emergem como ferramentas indispensáveis, não apenas para as empresas, mas também para os trabalhadores que desejam se manter competitivos, relevantes, preparados para os desafios atuais e futuros de um mercado em constante evolução.

Vamos entender como essas estratégias funcionam, suas diferenças e por que se tornaram tão cruciais na era da transformação digital.

O que é Upskilling e Reskilling?

Upskilling é o processo de aprimorar ou atualizar habilidades, competências e conhecimentos de um profissional dentro da sua área de atuação, visando melhorar seu desempenho em uma função atual ou avançar na carreira. Por exemplo, um programador aprendendo novas linguagens de programação para acompanhar as demandas do mercado é um caso de upskilling.

Esse processo é frequentemente promovido pelas empresas, que reconhecem o valor de investir no aprimoramento de suas equipes para atender às novas demandas do mercado. Programas de upskilling geralmente incluem treinamentos internos, workshops especializados e até mesmo parcerias com instituições de ensino para garantir que os profissionais estejam alinhados às tendências do setor.

Já o reskilling é a aquisição de habilidades completamente novas, preparando o profissional para transitar para uma nova função ou área. Esse movimento é especialmente relevante em um mercado onde muitas profissões estão desaparecendo ou sendo significativamente alteradas pela tecnologia. Um jornalista que aprende a operar ferramentas de análise de dados para conseguir migrar para a área de ciência de dados, por exemplo, está passando por um processo de reskilling.

O reskilling exige esforço tanto do profissional quanto das empresas. Por parte do trabalhador, demanda flexibilidade, disposição para aprender e explorar novas áreas. Por parte das organizações, requer planejamento estratégico e investimento em treinamentos específicos, muitas vezes personalizados para atender às necessidades da nova função ou área de negócios. É uma estratégia não apenas de adaptação, mas também de sobrevivência em um mercado de trabalho que muda cada vez mais rápido.

Atualização de habilidades na era da IA Generativa

Com o advento da IA Generativa, o mercado de trabalho enfrenta uma transformação profunda e significativa. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inteligência artificial afetará 40% dos empregos em todo o mundo. Essas tecnologias não apenas automatizam tarefas repetitivas, mas também ampliam as possibilidades criativas e analíticas. Isso tem levado muitos trabalhadores a se perguntarem sobre essas mudanças.

Uma pesquisa realizada pela Jitterbit, em parceria com a Censuswide, revelou que 85% dos trabalhadores esperam que a IA melhore as suas funções. Além disso, 96% dos colaboradores acreditam que a ferramenta pode melhorar as suas competências profissionais e 61% não estão preocupados com a possibilidade da tecnologia de substituir as funções dos humanos.

Esses dados evidenciam uma mudança significativa na percepção dos trabalhadores em relação à Inteligência Artificial. Em vez de temê-la como uma ameaça iminente aos empregos, a maioria vê a IA como uma ferramenta poderosa para potencializar suas capacidades e otimizar suas funções. Além disso, o fato de a maioria não demonstrar preocupação com a substituição reforça que muitos acreditam na coexistência entre a tecnologia e o trabalho humano, em um cenário onde a inovação serve para complementar, e não substituir, as nossas habilidades.

Ou seja, aprender a utilizar ferramentas de IA Generativa não é apenas um diferencial competitivo, mas uma forma de se manter relevante. Para trabalhadores que enfrentam barreiras, como medo de mudanças ou falta de conhecimento, investir em treinamentos curtos e práticos pode ser o primeiro passo para uma transição tranquila.

Ainda faz sentido realizar uma graduação?

Indo um pouco mais além, acredito que essa discussão acerca da aprendizagem contínua esbarra na questão sobre o valor da graduação. Muitos se perguntam se é realmente necessário investir anos em uma formação tradicional quando cursos curtos podem oferecer o que o mercado exige no momento.

Embora uma graduação ainda seja fundamental para muitas carreiras, sua eficiência em preparar trabalhadores para novas demandas tecnológicas é debatida, e os gestores já entendem que um diploma não é capaz de garantir que o contratado domine bem as exigências para o cargo. De acordo com levantamento do portal Intelligent.com, 45% das empresas dizem que eliminarão os requisitos de bacharelado em 2024.

Cursos profissionais oferecem uma alternativa prática e direcionada, permitindo que profissionais adquiram habilidades específicas de forma rápida, sendo uma alternativa viável para preparar os profissionais de maneira eficaz e ágil, além de ajudar a atualizar-se diante de mudanças rápidas no mercado.

No entanto, é crucial ressaltar que a valorização do conhecimento e da capacitação seguem enquanto um grande diferencial. Aqui, não se trata de descartar a graduação, mas de entender o que cada formato oferece. A faculdade ensina, além de conhecimentos técnicos, competências valiosas para qualquer área. O relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, da Organização das Nações Unidas (ONU), revelou as habilidades do futuro, indicadas pela entidade como aquelas questão se tornando cada vez mais requisitadas no mercado de trabalho.

Entre elas, destacam-se a flexibilidade cognitiva, julgamento e a tomada de decisões. Esses atributos são muitas vezes desenvolvidos em disciplinas acadêmicas, projetos interdisciplinares e ambientes de pesquisa que estimulam o raciocínio analítico e a resolução de problemas complexos. Além disso, habilidades como inteligência emocional, coordenação e gestão de pessoas estão intrinsecamente ligadas à experiência de vivência em grupo, comum nos cursos de graduação.

Portanto, as faculdades têm um papel crucial em preparar o profissional para o futuro. No entanto, é essencial que também evoluam seus currículos para incorporar as novas necessidades do mercado, conectando conteúdos acadêmicos à prática profissional.

Uma escolha estratégica

Independentemente do caminho escolhido – graduação, cursos curtos ou treinamentos específicos – a atualização constante é fundamental para todos os profissionais. Tanto upskilling quanto reskilling são investimentos estratégicos que não apenas garantem competitividade, mas também oferecem a possibilidade de explorar novos horizontes profissionais.

Seja aprendendo a operar ferramentas de IA Generativa, adquirindo competências técnicas para migrar de área ou aperfeiçoando conhecimentos já existentes, a mensagem é clara: o futuro do trabalho pertence a quem escolhe aprender continuamente. Afinal, requalificar-se não é apenas uma questão de necessidade, mas uma oportunidade de crescimento e reinvenção.

 

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Setembro Amarelo & Riscos Psicossociais: o RH Além do "Discurso Natimorto"

Todo mês de setembro chega com a clássica imagem de laços amarelos, mensagens acolhedoras dentre outros elementos mas tais práticas acabam se tornando automáticas com o tempo. Uma pesquisa publicada no Jornal Brasileiro de Psiquiatria (Carro & Nunes, 2021), demonstram que indivíduos acometidos por altos níveis de exaustão emocional e despersonalização — características centrais da Síndrome de Burnout — apresentam taxas significativamente mais elevadas de ideação suicida e pensamentos de autoextermínio quando comparados a grupos não afetados pelo transtorno. O cenário reforça que campanhas temporárias não bastam; a prevenção efetiva exige transformar a cultura organizacional e reestruturar as condições de trabalho ao longo de todo o ano.


Neste artigo será abordado sobre a atualização da NR-01, que entrou em fase de fiscalização no mês de maio de 2026. E a forma da qual o RH pode tratar a saúde mental não como um evento de calendário e sim como um processo.


O que mudou com a NR-01
 

A atualização da Norma Regulamentadora nº 01, formalizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, incluiu os riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, isso significa que fatores como sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, assédio moral e conflitos interpessoais passaram a ter o mesmo status regulatório dos riscos físicos, químicos e biológicos já conhecidos pelas equipes de Segurança do Trabalho. Depois de um período educativo, a fiscalização com aplicação de multas começou em 26 de maio de 2026, sem previsão de nova prorrogação.
 

Palestra não é gestão de risco
 

Um dos pontos mais repetidos por especialistas trabalhistas é que a conformidade com a nova NR-01 não se resume à realização de palestras ou campanhas de sensibilização. Elas continuam sendo bem-vindas, mas não substituem o que a lei exige: identificação, avaliação e mapeamento formal dos riscos psicossociais dentro do inventário do PGR, com plano de ação documentado, responsáveis definidos e prazos claros. Para o auditor-fiscal, o que importa não é o quanto a empresa falou sobre o tema, e sim o que ela consegue comprovar que fez a respeito. A ação demonstra mais do que palavras.
 

Métricas que realmente importam
 

Transformar saúde mental em gestão exige indicadores concretos, não apenas boas intenções. Entre as métricas mais usadas para monitorar riscos psicossociais e prevenir o burnout, destacam-se:

  •  Taxa de absenteísmo e afastamentos por CID relacionado à saúde mental, que sinaliza tendências antes que se tornem crise.
  •  Turnover por área ou liderança, útil para identificar ambientes de trabalho tóxicos ou sobrecarregados.
  •  Resultados de pesquisas de clima e engajamento, aplicadas com regularidade e não apenas uma vez ao ano.
  •  Questionários validados de avaliação de risco psicossocial, como o COPSOQ-BR, que ajudam a mapear cargas de trabalho, autonomia e suporte percebido.
  •  Uso de canais de escuta e denúncia, que indicam se os colaboradores confiam nos mecanismos internos disponíveis.

Esses dados, quando analisados em conjunto, permitem enxergar padrões e agir antes que o problema vire algo irreversível como afastamento, processo trabalhista ou desligamento.
 

Do mapeamento ao plano de ação
 

Identificar o risco é só o primeiro passo. A norma exige que cada risco mapeado tenha uma resposta prática: ajuste de carga de trabalho, revisão de metas, capacitação de lideranças para identificar sinais de sobrecarga, ou a criação de canais de apoio psicológico. Esse ciclo precisa ser contínuo, como um processo, sempre mantendo a revisão periódica do PGR e atualização do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), e não um documento produzido uma vez e arquivado.

A atualização da NR-01 representa uma mudança de mentalidade: a saúde mental deixou de ser pauta de bem-estar e passou a ser, também, uma questão de conformidade legal e de gestão de risco. Um passo importante para construir ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis. Mais do que cumprir uma exigência regulatória, trata-se de reconhecer que cuidar das pessoas exige método, dados e continuidade.
 

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Agosto Lilás: por que a segurança da mulher também é pauta de trabalho

Todos os anos, o mês de agosto ganha uma cor especial: o lilás. A campanha Agosto Lilás nasceu para lembrar a sociedade sobre a importância do combate à violência contra a mulher e reforçar o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha. Mas o que muita gente ainda não percebe é que esse tema vai muito além das redes sociais e das ações pontuais em agosto: ele impacta diretamente a produtividade, o bem-estar e a saúde mental das mulheres no ambiente profissional.

Por isso, empresas comprometidas com pessoas entendem que falar sobre segurança da mulher é, também, falar sobre um ambiente de trabalho mais saudável e humano.

Uma pauta que também é institucional

A cada edição, o movimento ganha reforço de instituições públicas. O Senado Federal, por exemplo, dedica o mês de agosto à campanha, com foco na conscientização e no combate à violência de gênero, promovendo debates sobre projetos relacionados aos direitos das mulheres. Isso mostra que o tema está presente em discussões legislativas, em políticas públicas e, cada vez mais, dentro dos espaços profissionais onde as pessoas passam boa parte de suas vidas.

Por que isso é assunto de trabalho

A violência contra a mulher não fica "do lado de fora" do escritório. Ela atravessa a porta junto com a colaboradora, mesmo quando ninguém percebe. Sinais de que uma mulher pode estar sofrendo violência incluem isolamento social, marcas físicas, medo excessivo do parceiro e justificativas constantes para faltas no trabalho, todos eles diretamente ligados à rotina profissional. Uma colaboradora que vive uma situação de violência tende a apresentar queda de produtividade, dificuldade de concentração, ausências recorrentes e maior desgaste emocional.

O papel das empresas nesse enfrentamento

Cabe às organizações criar ambientes de confiança, onde as pessoas se sintam seguras para pedir ajuda, buscar apoio e ser acolhidas sem julgamento. Isso pode incluir desde ações de conscientização e campanhas internas até políticas de escuta, apoio psicológico e orientação sobre direitos e canais de denúncia. Oferecer apoio e incentivar a busca de ajuda é um papel que a sociedade e, por extensão, as empresas podem e devem exercer como parte de sua responsabilidade com as pessoas.

Canais de apoio: para onde encaminhar quem precisa de ajuda

Saber a quem recorrer pode ser decisivo:

  • Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher do governo federal, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, de forma gratuita, oferecendo orientação sobre direitos, informações sobre a rede de atendimento e o registro de denúncias, que são encaminhadas aos órgãos competentes.
  • O contato também pode ser feito por chat no WhatsApp, no número (61) 9610-0180, ou por e-mail.

Cuidar das pessoas vai além do ambiente físico de trabalho: significa também estar atento ao que cada colaboradora vive fora do escritório. Por isso, consideramos o Agosto Lilás e todas as ações voltadas à segurança e ao bem-estar da mulher  extremamente importantes e necessárias durante todo o ano. 
 

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