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Como conciliar cuidado x trabalho

O desafio ganha novas camadas com o trabalho remoto e híbrido

Por EDC Group | Publicado em 21/07/2026
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Para uma parcela crescente da força de trabalho, o dia nunca começa apenas no e-mail e termina no fim do expediente. Ele começa muito antes, entre café da manhã, lanche da escola, tarefa das crianças, remédios para idosos e ligações de médico, e se estende noite adentro, quando ainda há demandas pendentes, mensagens por responder e preocupações com quem depende desse cuidado. Conciliar

No meio desse emaranhado de responsabilidades, profissionais tentam manter a performance, cumprir metas e preservar a saúde mental. A tensão entre cuidar e produzir sempre existiu, mas ganha novas camadas com o trabalho remoto e híbrido, que borram fronteiras entre casa e escritório.

Ainda assim, muitas estruturas organizacionais seguem operando como se quem cuida de crianças ou idosos “desligasse” esse papel ao sentar diante do computador.

Isso levanta a questão de como, na prática, estamos conciliando trabalho e responsabilidades de cuidado hoje. A pergunta que se impõe não é apenas como os profissionais podem se organizar melhor, mas como o mundo corporativo pode assumir seu papel na construção de condições reais para que quem cuida consiga trabalhar sem adoecer.

O falso dilema da produtividade

Historicamente, o mercado tratou a parentalidade como uma questão privada, alheia à lógica dos negócios. A ausência de políticas consistentes para pais e mães reforça uma cultura de invisibilidade que penaliza especialmente as mulheres.

De acordo com uma pesquisa da Todas Group, 75% das mulheres que são mães se preocupam constantemente com a divisão do foco entre as crianças e o trabalho, culpando-se por isso.

Quando ampliamos o olhar para além dos filhos pequenos e incluímos o cuidado com pais e familiares idosos, o problema é ainda maior.

Segundo uma pesquisa (¹) realizada nos EUA, 22% dos trabalhadores de meia-idade já deixaram um emprego por causa das responsabilidades de cuidado, enquanto 24% dos profissionais que desempenham o papel de cuidadores de uma criança e de um adulto dependente têm maior probabilidade de dizer que desejam deixar o emprego atual.

Além disso, há um custo organizacional, gerando profissionais exaustos, estressados e com queda de desempenho. Um bom exemplo vem do estudo (²) realizado pela ONG Moms First, que analisou os custos e os resultados de empresas que ofereciam algum tipo de benefício para cuidados de crianças.

Em todas elas, o retorno sobre os investimentos foram de até 425% com a oferta de creches, constatando que os auxílios se pagaram sozinhos.

Avanços e soluções

Até o momento, o foco das soluções ainda se concentra quase exclusivamente no nascimento e nos primeiros meses de vida da criança. Ajustamos licenças, organizamos o retorno ao trabalho após o parto, criamos salas de amamentação e políticas específicas para o puerpério, mas pouco se discute sobre os dez ou quinze anos seguintes, em que essa criança continua dependendo de alguém.

O mesmo vale para o envelhecimento. Quando pais e mães se tornam idosos e passam a exigir cuidados constantes, muitos profissionais voltam a reorganizar completamente suas rotinas, quase como uma “segunda jornada de cuidado” ao longo da vida.

Segundo um levantamento (³) da Fifth Trimester, 69% dos entrevistados trabalhariam presencialmente mais do que o necessário se seu empregador tivesse creche no local, subsidiada ou de apoio.

Outra pesquisa (4) da Care.com revelou que 82% dos empregadores dizem que benefícios de cuidado infantil e de idosos melhoram a produtividade, e quase 80% afirmam que esses benefícios ajudam na atração e retenção de uma força de trabalho multigeracional.

Políticas eficazes também passam por gestão de jornada. A CLT admite intervalo intrajornada de até duas horas para jornadas acima de seis horas, mediante acordo.

O “almoço estendido” pode viabilizar buscar o filho na escola ou acompanhar um pai idoso a uma consulta médica e retornar ao trabalho sem prejuízo às entregas. Somam-se o uso responsável do teletrabalho, janelas de foco sem reuniões e horários de entrada/saída escalonados.

Ou seja: lideranças bem preparadas sabem que um colaborador que sai 30 minutos mais cedo para buscar o filho na escola ou para garantir que o pai idoso não ficará sozinho pode ser o mesmo que entrega soluções mais criativas e comprometidas.

São ajustes simples, de alto efeito na rotina familiar, sem sacrificar metas ou qualidade.

O futuro exige empatia com método

O mundo do trabalho está em constante mutação. Dessa maneira, qualquer empregador que ignore a dimensão humana de seus profissionais está fadado à obsolescência.

Cuidado familiar e carreira não precisam ser forças opostas, desde que as empresas evoluam de modelos rígidos para culturas de diálogo e acolhimento.

Por outro lado, conciliação não significa perfeição. Significa autonomia para ajustar a agenda quando necessário, previsibilidade nas demandas e uma cultura que normalize o cuidado como parte da vida adulta e não como distração.

O que falta, muitas vezes, não é estrutura, mas sensibilidade gerencial.

É hora de levar o tema da parentalidade para o centro das decisões de gestão. Afinal, trabalhadores não deixam de ser responsáveis por alguém ao abrir o laptop. Pelo contrário.

É no equilíbrio entre vida pessoal e profissional que muitas vezes reside o diferencial de uma equipe mais humana e produtiva. Quem ainda vê filhos, idosos ou qualquer responsabilidade de cuidado como obstáculos talvez esteja despreparado para liderar o futuro.

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Setembro Amarelo & Riscos Psicossociais: o RH Além do "Discurso Natimorto"

Todo mês de setembro chega com a clássica imagem de laços amarelos, mensagens acolhedoras dentre outros elementos mas tais práticas acabam se tornando automáticas com o tempo. Uma pesquisa publicada no Jornal Brasileiro de Psiquiatria (Carro & Nunes, 2021), demonstram que indivíduos acometidos por altos níveis de exaustão emocional e despersonalização — características centrais da Síndrome de Burnout — apresentam taxas significativamente mais elevadas de ideação suicida e pensamentos de autoextermínio quando comparados a grupos não afetados pelo transtorno. O cenário reforça que campanhas temporárias não bastam; a prevenção efetiva exige transformar a cultura organizacional e reestruturar as condições de trabalho ao longo de todo o ano.


Neste artigo será abordado sobre a atualização da NR-01, que entrou em fase de fiscalização no mês de maio de 2026. E a forma da qual o RH pode tratar a saúde mental não como um evento de calendário e sim como um processo.


O que mudou com a NR-01
 

A atualização da Norma Regulamentadora nº 01, formalizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, incluiu os riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, isso significa que fatores como sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, assédio moral e conflitos interpessoais passaram a ter o mesmo status regulatório dos riscos físicos, químicos e biológicos já conhecidos pelas equipes de Segurança do Trabalho. Depois de um período educativo, a fiscalização com aplicação de multas começou em 26 de maio de 2026, sem previsão de nova prorrogação.
 

Palestra não é gestão de risco
 

Um dos pontos mais repetidos por especialistas trabalhistas é que a conformidade com a nova NR-01 não se resume à realização de palestras ou campanhas de sensibilização. Elas continuam sendo bem-vindas, mas não substituem o que a lei exige: identificação, avaliação e mapeamento formal dos riscos psicossociais dentro do inventário do PGR, com plano de ação documentado, responsáveis definidos e prazos claros. Para o auditor-fiscal, o que importa não é o quanto a empresa falou sobre o tema, e sim o que ela consegue comprovar que fez a respeito. A ação demonstra mais do que palavras.
 

Métricas que realmente importam
 

Transformar saúde mental em gestão exige indicadores concretos, não apenas boas intenções. Entre as métricas mais usadas para monitorar riscos psicossociais e prevenir o burnout, destacam-se:

  •  Taxa de absenteísmo e afastamentos por CID relacionado à saúde mental, que sinaliza tendências antes que se tornem crise.
  •  Turnover por área ou liderança, útil para identificar ambientes de trabalho tóxicos ou sobrecarregados.
  •  Resultados de pesquisas de clima e engajamento, aplicadas com regularidade e não apenas uma vez ao ano.
  •  Questionários validados de avaliação de risco psicossocial, como o COPSOQ-BR, que ajudam a mapear cargas de trabalho, autonomia e suporte percebido.
  •  Uso de canais de escuta e denúncia, que indicam se os colaboradores confiam nos mecanismos internos disponíveis.

Esses dados, quando analisados em conjunto, permitem enxergar padrões e agir antes que o problema vire algo irreversível como afastamento, processo trabalhista ou desligamento.
 

Do mapeamento ao plano de ação
 

Identificar o risco é só o primeiro passo. A norma exige que cada risco mapeado tenha uma resposta prática: ajuste de carga de trabalho, revisão de metas, capacitação de lideranças para identificar sinais de sobrecarga, ou a criação de canais de apoio psicológico. Esse ciclo precisa ser contínuo, como um processo, sempre mantendo a revisão periódica do PGR e atualização do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), e não um documento produzido uma vez e arquivado.

A atualização da NR-01 representa uma mudança de mentalidade: a saúde mental deixou de ser pauta de bem-estar e passou a ser, também, uma questão de conformidade legal e de gestão de risco. Um passo importante para construir ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis. Mais do que cumprir uma exigência regulatória, trata-se de reconhecer que cuidar das pessoas exige método, dados e continuidade.
 

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Agosto Lilás: por que a segurança da mulher também é pauta de trabalho

Todos os anos, o mês de agosto ganha uma cor especial: o lilás. A campanha Agosto Lilás nasceu para lembrar a sociedade sobre a importância do combate à violência contra a mulher e reforçar o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha. Mas o que muita gente ainda não percebe é que esse tema vai muito além das redes sociais e das ações pontuais em agosto: ele impacta diretamente a produtividade, o bem-estar e a saúde mental das mulheres no ambiente profissional.

Por isso, empresas comprometidas com pessoas entendem que falar sobre segurança da mulher é, também, falar sobre um ambiente de trabalho mais saudável e humano.

Uma pauta que também é institucional

A cada edição, o movimento ganha reforço de instituições públicas. O Senado Federal, por exemplo, dedica o mês de agosto à campanha, com foco na conscientização e no combate à violência de gênero, promovendo debates sobre projetos relacionados aos direitos das mulheres. Isso mostra que o tema está presente em discussões legislativas, em políticas públicas e, cada vez mais, dentro dos espaços profissionais onde as pessoas passam boa parte de suas vidas.

Por que isso é assunto de trabalho

A violência contra a mulher não fica "do lado de fora" do escritório. Ela atravessa a porta junto com a colaboradora, mesmo quando ninguém percebe. Sinais de que uma mulher pode estar sofrendo violência incluem isolamento social, marcas físicas, medo excessivo do parceiro e justificativas constantes para faltas no trabalho, todos eles diretamente ligados à rotina profissional. Uma colaboradora que vive uma situação de violência tende a apresentar queda de produtividade, dificuldade de concentração, ausências recorrentes e maior desgaste emocional.

O papel das empresas nesse enfrentamento

Cabe às organizações criar ambientes de confiança, onde as pessoas se sintam seguras para pedir ajuda, buscar apoio e ser acolhidas sem julgamento. Isso pode incluir desde ações de conscientização e campanhas internas até políticas de escuta, apoio psicológico e orientação sobre direitos e canais de denúncia. Oferecer apoio e incentivar a busca de ajuda é um papel que a sociedade e, por extensão, as empresas podem e devem exercer como parte de sua responsabilidade com as pessoas.

Canais de apoio: para onde encaminhar quem precisa de ajuda

Saber a quem recorrer pode ser decisivo:

  • Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher do governo federal, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, de forma gratuita, oferecendo orientação sobre direitos, informações sobre a rede de atendimento e o registro de denúncias, que são encaminhadas aos órgãos competentes.
  • O contato também pode ser feito por chat no WhatsApp, no número (61) 9610-0180, ou por e-mail.

Cuidar das pessoas vai além do ambiente físico de trabalho: significa também estar atento ao que cada colaboradora vive fora do escritório. Por isso, consideramos o Agosto Lilás e todas as ações voltadas à segurança e ao bem-estar da mulher  extremamente importantes e necessárias durante todo o ano. 
 

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