EDC explica
Mulheres nas Empresas: o que ainda precisa mudar e o que já está mudando
Dados, barreiras reais e caminhos concretos para construir organizações mais justas e igualitárias
Em 2025, as mulheres representam mais da metade da população economicamente ativa no Brasil. Elas são maioria nas universidades e concluem a graduação em proporção maior do que os homens. E ainda assim, apenas 35% dos cargos de alta liderança, como gerência executiva, diretoria e C-level são ocupados por mulheres no Brasil, segundo levantamento da Diversitera publicado pela Exame em março de 2025 (exame.com). Ao mesmo tempo, as mulheres recebem, em média, 20,9% a menos do que os homens, conforme o 3º Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho, divulgado em abril de 2025 (gov.br).
Esse conjunto de dados não é coincidência. É o retrato de um sistema que, por muito tempo, foi desenhado por homens, para homens e que ainda carrega, nas suas regras explícitas e implícitas, as marcas desse desenho original.
A desigualdade aparece em todos os níveis. No topo, 57,4% dos conselhos de administração não têm nenhuma mulher, e no ritmo atual, a paridade na alta liderança pode levar mais de 160 anos para ser alcançada (Instituto Talenses / Insper). Na remuneração, mulheres em cargos de direção recebem em média R$ 6.776 contra R$ 10.073 dos homens na mesma posição (IBGE). Para mulheres negras, o salário médio cai ainda mais: R$ 2.864 mensais.
Por trás desses números está o peso invisível do trabalho de cuidado: as mulheres dedicam 499 horas a mais por ano a afazeres domésticos do que os homens (DIEESE), o que impacta diretamente a disponibilidade e as oportunidades de crescimento profissional. Mães solo enfrentam uma diferença de renda de 32% em relação a outras mulheres não por falta de capacidade, mas por falta de estrutura das organizações.
As empresas que avançam nessa agenda têm em comum atitudes concretas: revisam critérios de promoção, tornam faixas salariais transparentes, criam programas de mentoria para mulheres em média liderança e implementam licença parental igualitária. E entendem que essa não é uma agenda só de mulheres líderes homens que patrocinam, dividem espaço e praticam a equidade são tão fundamentais quanto qualquer política de RH.
A desigualdade de gênero nas empresas não vai se resolver sozinha com o tempo. Vai se resolver com dados, políticas reais e decisões intencionais. O teste mais honesto para qualquer organização é simples: as mulheres que trabalham aqui chegam tão longe quanto seu talento permite ou param onde as barreiras começam?