Visão do CEO

Os desafios e técnicas de retenção de talentos no período pós-pandemia

Por EDC Group | Publicado em 30/08/2022
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Toda empresa busca otimizar a gestão dos seus recursos da melhor forma possível, ainda mais em tempos em que o mercado econômico não anda de bom humor. No entanto, quando há rotatividade ou é necessário ampliar a equipe para expandir o negócio ou o quadro de funcionários, essa é uma tarefa um tanto quanto complicada, sobretudo, considerando as mudanças comportamentais dos funcionários e os novos objetivos e exigências dos candidatos.

Em meu último artigo, comentei sobre as grandes taxas de turnover no mercado de trabalho e como o setor de recrutamento enxerga o home office enquanto uma alternativa de captação e retenção de funcionários. No entanto, quando falamos de atrativos, a possibilidade de trabalhar em casa não é somente o item de destaque que os candidatos buscam nas descrições das vagas.

Com a reestruturação da forma como as pessoas enxergam o trabalho, os benefícios ofertados pelas companhias também precisam ser revistos ou atualizados. Como por exemplo, a disponibilização de vale refeição, alimentação e o auxílio home office com saldos flexíveis. Dessa forma, o funcionário consegue usar o cartão que ele apenas conseguiria usar em restaurantes ou mercados presencialmente para pagar contas, comprar online e arcar com os custos dessa nova estrutura empresarial.

Embora seja algo simples, a retenção e o senso de pertencimento dos funcionários pode ser conquistado com medidas simples e correspondestes com as novas necessidades desse novo formato de trabalho. Algumas empresas estão adotando a short friday, que consiste na redução do tempo trabalhado durante as sextas-feiras. Além disso, com o objetivo de promover a interação entre os times, algumas companhias também organizam happy hours on-line, com direito a cupons e saldos em aplicativos de delivery de bebidas e comida para promover uma hora de descontração e diversão entre os funcionários, o que por vezes pode ser um desafio no formato de trabalho remoto.

Outra atualização que gera conforto e conexão com os funcionários é a modificação dos escritórios que estão recebendo os times de forma híbrida. Ambientes mais descontraídos e com copas que disponibilizam bebidas e snacks livremente ganham destaque entre os trabalhadores, afinal, quando eles estão trabalhando de casa possuem todos esses itens disponíveis também. Além disso, é recomendável contar com espaços de descanso que fujam do visual típico de escritório, dessa forma, o time consegue fazer pequenas pausas durante o expediente.

A preocupação e a busca pelo equilíbrio entre a vida profissional e pessoal também cresceu muito nos últimos dois anos. Por isso, é fundamental que as empresas se importem com as alterações e problemas físicos e emocionais que um funcionário pode desenvolver em função do estresse do dia a dia de trabalho. É importante tomar medidas para que esse tipo de situação não seja um problema recorrente dentro da empresa, a disponibilização de um psicólogo também pode ser um diferencial.

Claro que a implementação desses benefícios traz custos para as companhias, no entanto, é importante colocar na balança a economia que essas medidas apresentarão em um longo período de tempo, já que garantem um maior índice de retenção de talentos. Vale ressaltar que o Brasil possui uma das maiores taxas de rotatividade do mundo. De acordo com os últimos dados divulgados pela consultoria Robert Half, a taxa de turnover nas organizações brasileiras é uma das maiores do mundo.

Para as empresas que ainda estão resistentes ao novo cenário, vale ressaltar que o turnover gera custos de recrutamento de um novo profissional, bem como o custo de treinar a nova pessoa. Além disso, é necessário considerar que o contratado demora algumas semanas para entregar o mesmo resultado que o funcionário que já estava ambientado com a empresa entregava. Companhias com uma alta taxa de turnover também podem sofrer com prejuízos intangíveis para a imagem da companhia, o que pode afastar as candidaturas e complicar os processos seletivos.

Diante dessas atualizações, é necessário que as organizações olhem com mais atenção para a relação que almejam construir com os funcionários, considerando as opiniões dos seus colaboradores e promovendo mudanças que construam um ambiente mais saudável.  Um time engajado faz toda a diferença nos resultados de uma empresa, além de significar uma grande economia para os gestores. Resumidamente, ao cuidar da retenção de talentos dentro da sua organização, a tendência é que todos saiam ganhando.

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Setembro Amarelo & Riscos Psicossociais: o RH Além do "Discurso Natimorto"

Todo mês de setembro chega com a clássica imagem de laços amarelos, mensagens acolhedoras dentre outros elementos mas tais práticas acabam se tornando automáticas com o tempo. Uma pesquisa publicada no Jornal Brasileiro de Psiquiatria (Carro & Nunes, 2021), demonstram que indivíduos acometidos por altos níveis de exaustão emocional e despersonalização — características centrais da Síndrome de Burnout — apresentam taxas significativamente mais elevadas de ideação suicida e pensamentos de autoextermínio quando comparados a grupos não afetados pelo transtorno. O cenário reforça que campanhas temporárias não bastam; a prevenção efetiva exige transformar a cultura organizacional e reestruturar as condições de trabalho ao longo de todo o ano.


Neste artigo será abordado sobre a atualização da NR-01, que entrou em fase de fiscalização no mês de maio de 2026. E a forma da qual o RH pode tratar a saúde mental não como um evento de calendário e sim como um processo.


O que mudou com a NR-01
 

A atualização da Norma Regulamentadora nº 01, formalizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, incluiu os riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, isso significa que fatores como sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, assédio moral e conflitos interpessoais passaram a ter o mesmo status regulatório dos riscos físicos, químicos e biológicos já conhecidos pelas equipes de Segurança do Trabalho. Depois de um período educativo, a fiscalização com aplicação de multas começou em 26 de maio de 2026, sem previsão de nova prorrogação.
 

Palestra não é gestão de risco
 

Um dos pontos mais repetidos por especialistas trabalhistas é que a conformidade com a nova NR-01 não se resume à realização de palestras ou campanhas de sensibilização. Elas continuam sendo bem-vindas, mas não substituem o que a lei exige: identificação, avaliação e mapeamento formal dos riscos psicossociais dentro do inventário do PGR, com plano de ação documentado, responsáveis definidos e prazos claros. Para o auditor-fiscal, o que importa não é o quanto a empresa falou sobre o tema, e sim o que ela consegue comprovar que fez a respeito. A ação demonstra mais do que palavras.
 

Métricas que realmente importam
 

Transformar saúde mental em gestão exige indicadores concretos, não apenas boas intenções. Entre as métricas mais usadas para monitorar riscos psicossociais e prevenir o burnout, destacam-se:

  •  Taxa de absenteísmo e afastamentos por CID relacionado à saúde mental, que sinaliza tendências antes que se tornem crise.
  •  Turnover por área ou liderança, útil para identificar ambientes de trabalho tóxicos ou sobrecarregados.
  •  Resultados de pesquisas de clima e engajamento, aplicadas com regularidade e não apenas uma vez ao ano.
  •  Questionários validados de avaliação de risco psicossocial, como o COPSOQ-BR, que ajudam a mapear cargas de trabalho, autonomia e suporte percebido.
  •  Uso de canais de escuta e denúncia, que indicam se os colaboradores confiam nos mecanismos internos disponíveis.

Esses dados, quando analisados em conjunto, permitem enxergar padrões e agir antes que o problema vire algo irreversível como afastamento, processo trabalhista ou desligamento.
 

Do mapeamento ao plano de ação
 

Identificar o risco é só o primeiro passo. A norma exige que cada risco mapeado tenha uma resposta prática: ajuste de carga de trabalho, revisão de metas, capacitação de lideranças para identificar sinais de sobrecarga, ou a criação de canais de apoio psicológico. Esse ciclo precisa ser contínuo, como um processo, sempre mantendo a revisão periódica do PGR e atualização do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), e não um documento produzido uma vez e arquivado.

A atualização da NR-01 representa uma mudança de mentalidade: a saúde mental deixou de ser pauta de bem-estar e passou a ser, também, uma questão de conformidade legal e de gestão de risco. Um passo importante para construir ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis. Mais do que cumprir uma exigência regulatória, trata-se de reconhecer que cuidar das pessoas exige método, dados e continuidade.
 

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Agosto Lilás: por que a segurança da mulher também é pauta de trabalho

Todos os anos, o mês de agosto ganha uma cor especial: o lilás. A campanha Agosto Lilás nasceu para lembrar a sociedade sobre a importância do combate à violência contra a mulher e reforçar o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha. Mas o que muita gente ainda não percebe é que esse tema vai muito além das redes sociais e das ações pontuais em agosto: ele impacta diretamente a produtividade, o bem-estar e a saúde mental das mulheres no ambiente profissional.

Por isso, empresas comprometidas com pessoas entendem que falar sobre segurança da mulher é, também, falar sobre um ambiente de trabalho mais saudável e humano.

Uma pauta que também é institucional

A cada edição, o movimento ganha reforço de instituições públicas. O Senado Federal, por exemplo, dedica o mês de agosto à campanha, com foco na conscientização e no combate à violência de gênero, promovendo debates sobre projetos relacionados aos direitos das mulheres. Isso mostra que o tema está presente em discussões legislativas, em políticas públicas e, cada vez mais, dentro dos espaços profissionais onde as pessoas passam boa parte de suas vidas.

Por que isso é assunto de trabalho

A violência contra a mulher não fica "do lado de fora" do escritório. Ela atravessa a porta junto com a colaboradora, mesmo quando ninguém percebe. Sinais de que uma mulher pode estar sofrendo violência incluem isolamento social, marcas físicas, medo excessivo do parceiro e justificativas constantes para faltas no trabalho, todos eles diretamente ligados à rotina profissional. Uma colaboradora que vive uma situação de violência tende a apresentar queda de produtividade, dificuldade de concentração, ausências recorrentes e maior desgaste emocional.

O papel das empresas nesse enfrentamento

Cabe às organizações criar ambientes de confiança, onde as pessoas se sintam seguras para pedir ajuda, buscar apoio e ser acolhidas sem julgamento. Isso pode incluir desde ações de conscientização e campanhas internas até políticas de escuta, apoio psicológico e orientação sobre direitos e canais de denúncia. Oferecer apoio e incentivar a busca de ajuda é um papel que a sociedade e, por extensão, as empresas podem e devem exercer como parte de sua responsabilidade com as pessoas.

Canais de apoio: para onde encaminhar quem precisa de ajuda

Saber a quem recorrer pode ser decisivo:

  • Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher do governo federal, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, de forma gratuita, oferecendo orientação sobre direitos, informações sobre a rede de atendimento e o registro de denúncias, que são encaminhadas aos órgãos competentes.
  • O contato também pode ser feito por chat no WhatsApp, no número (61) 9610-0180, ou por e-mail.

Cuidar das pessoas vai além do ambiente físico de trabalho: significa também estar atento ao que cada colaboradora vive fora do escritório. Por isso, consideramos o Agosto Lilás e todas as ações voltadas à segurança e ao bem-estar da mulher  extremamente importantes e necessárias durante todo o ano. 
 

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